terça-feira, 19 de maio de 2009

Entrevista com Milton Cruz

Há 14 anos ele busca jogadores para o São Paulo.

E evita que outros talentosos sejam mandados embora.


Um pequeno exemplo.


"Um treinador do juvenil queria dispensar um garoto. Disse que era muito franzino e que ele aproveitasse sua inteligência para estudar. Ser engenheiro, essas coisas. Eu não deixei esse menino sair", relembra.


Esse menino tem nome: Kaká.


Essa história só já valeria uma existência.


Mas Milton Cruz já fez muito mais.


Observou e deu seu aval, quando ninguém acreditava, para inúmeros jogadores.


Luís Fabiano, Kléber, Lugano, Cicinho, Miranda, Borges, André Dias, Fabão, Danilo, Grafite.


Maldonado, Gustavo Nery, Josué, Mineiro, Marcelinho Paraíba, Alex Silva, Jean.


Errou também com Reasco, Jancarlos, Juninho, Jadílson, Lenílson, Rondon, Marcel, Lima.


Mas o saldo está mais do que positivo.


Além de consultor técnico, ele é braço direito de Muricy Ramalho.


E pode explicar com detalhes o que está acontecendo de errado com o São Paulo.


Em entrevista exclusiva ao blog ele faz grandes revelações sobre o clube que tanto ama.


E de quem não é contratado.


É funcionário, com carteira assinada. Se Muricy for embora, ele fica no clube.


O presidente Juvenal Juvencio não admite pensar em liberar Milton Cruz.



Milton, você é considerado o melhor observador de jogadores do Brasil.

Por que o São Paulo não tem um meia há três anos?



Não temos, mas ganhamos três vezes seguidas o Brasileiro. Gozado, né?

Vou ser claro com você.

Eu procuro, observo, corro atrás.

Mas o que está acontecendo é que o São Paulo é um clube que não está fazendo grandes investimentos.

Nós não concorremos com grupos financeiros como a Traffic, Sonda, Unimed.

Ou nós conseguimos buscar o jogador com custo zero, no final do seu contrato, ou não brigamos com a concorrência.

Eu tenho agora uma lista que vale ouro, de 40 jogadores que ficarão sem vínculo com seu clube no meio do ano.

Envolvendo Brasil, América do Sul e Europa.

O São Paulo vai se reforçar. E bem.

Não para a Libertadores. Mas na janela do Brasileiro.



E Ronaldinho Gaúcho? Interessou de verdade?



Pensamos até nele. Mas nada concreto.

Houve interesse por parte da diretoria.

Mas sabíamos que seria impossível.

Ele ganha muito no Milan (cerca de 600 mil euros por mês, mais de R$1,6 milhão).

Não iria rasgar dinheiro.

E tem outra coisa: ele já está sendo convocado.

Não precisa voltar para ser chamado pelo Dunga.



Mas e agora: o time vai despencar?



As pessoas são precipitadas. Existem vários jogadores machucados que retornarão até o jogo com o Cruzeiro.

Eu e o Muricy estamos trabalhando com cuidado. Nada é por acaso. Nós acabamos de perder o nosso líder, o Rogério Ceni.

O grupo ainda está se ressentindo, foi muito tempo de dependência do Rogério.

Os jogadores estão reagindo. Novas lideranças estão aparecendo.

Com a volta dos machucados, o time será outro contra o Cruzeiro.

E estamos adorando que vejam o Cruzeiro como favorito para nos eliminar na Libertadores.

Temos consciência da nossa força.

O nosso grupo é excelente.

Melhor do que o ano passado.

Eu posso falar isso porque estou na intimidade do dia-a-dia.

Está tudo sob controle. Daremos a mostra nestas partidas contra o Cruzeiro.



Não dará tempo para fazer nenhuma contratação para a Libertadores?



Sinceramente, acho que não.

Nós temos contatos feitos, adiantados.

Marlos do Coritiba é um.

Estamos praticamente fechados.

Mas chegou o Inter e seu parceiro Sonda, o Palmeiras e a Traffic. O Grêmio...

Vamos ver se conseguimos confirmar a contratação de Marlos.

E o restante fica para a janela.



Você não vai escapar: o São Paulo busca mesmo um craque para o meio de campo

em julho?



Busca, sim. E craque mesmo.

Já conversamos com o Juninho Pernambucano, com o Alex, ex-Palmeiras.

São jogadores quase impossíveis porque temos concorrência ou eles preferem ficar na Europa.

Uns conselheiros pensaram no Valdívia. Mas eu não recomendei.

Eu aposto no histórico do meia e não só em uma temporada.

Há outros meias do futebol sul-americano que estão analisados e catalogados.

Vamos buscar um bom.

Nos ofereceram o Molina, jogador que eu respeito, mas não se encaixa no perfil do São Paulo.

Deve vir de fora.



O Danilo que está no Japão tem chance de voltar?



Olha, só agora estão reconhecendo a capacidade técnica e tática do Danilo.

Ele está muito bem no Japão.

Acredito que não queira voltar.

Mas seria ótimo se voltasse. Fui eu quem o trouxe da primeira vez, adoraria vê-lo reconhecido como merece no São Paulo.

Um meia vem. Isso a torcida pode estar mais do que certa.



Você foi um atacante mediano, como é que desenvolveu tanto talento para descobrir jogadores?



Foi o olho clínico do Minelli. Ele ficou admirado quando recomendei o zagueiro colombiano Córdoba.

O Minelli adorou o jogador, que não veio para o São Paulo porque era caro, US$ 1, 7 milhão.

Ele acabou indo para a Inter de Milão, mas a nossa diretoria se arrependeu de não me ouvir.

E a partir daí, não parei mais. Já perdi a conta de jogadores que eu recomendei a vinda nestes 14 anos de clube.



Você tem uma história interessante com o Lugano, não é?



Tenho. Foi o ex-presidente Marcelo Portugal Gouvea quem mandou buscá-lo no Uruguai. ( A recomendação foi de Juan Figer.)

Lugano chegou afobado, afoito e cintura dura.

Tivemos de trabalhar com ele por muito tempo afastado do grupo.

E o presidente me cobrando toda semana.

Na época, eu e o Rojas treinávamos o time.

Tive uma idéia. Coloquei o Lugano na sobra, para jogar protegido. Afinal era o jogador do presidente...

Deu mais do que certo. O Lugano virou esse baita jogador.

E a partir daí, o São Paulo passou a adotar três zagueiros...



Vocês fracassaram no ano passado com essa história de bad boys...



Olha, eu indiquei só um: o Adriano.

Fui eu quem começou os primeiros contatos.

Quando ele veio, fiquei surpreso porque a diretoria trouxe o Carlos Alberto e o Fábio Santos.

Vi na hora que não daria certo. Um bad boy, tudo bem. Dá para controlar.

Mas, três não dá não.

E deu no que deu...



Em relação aos que você indicou e não deram certo?

Qual o motivo?



Ah... É sempre o mesmo. Falta de personalidade para suportar as cobranças.

Aqui no São Paulo é pressão a todo o momento.

Nós somos campeões mundiais, da Libertadores. Tri brasileiro.

Está tudo muito recente.

Vários jogadores que vieram do Rio de Janeiro não deram certo nos últimos tempos no São Paulo.

Não foi coincidência. No Rio, a exigência é bem menor. Aqui é duro, todos estranham.

E vários não conseguiram jogar mesmo.

Fazer o quê? Não posso adivinhar que o jogador vai se encolher ao chegar aqui...



O Dagoberto é um caso à parte. Ele deu certo ou não no São Paulo?



Olha...eu sou sincero. Sou fã do futebol dele, o considero diferenciado.

Só que ele nunca rendeu no São Paulo o que rendia no Atlético Paranaense.

E talvez nunca vá render. Sabe o porquê?

Porque o São Paulo não vai fazer o que o Atlético Paranaense fazia.

O time jogava em função dele. Aqui o Dagoberto tem de jogar em função do time.

Isso é uma grande diferença.

Até hoje o Dagoberto está se adaptando.

Ele é um grande jogador. Está cada vez melhor em termos de conjunto.

Ainda confio muito nele, mas entendo como foi dura a sua adaptação.



Conte a história de como o Kaká esteve para ir embora do São Paulo...



Foi a minha teimosia que fez com que ele ficasse.

Vi um talento nele que ninguém via. Desde os tempos do dente de leite.

Não tinha força para bater na bola, mas tinha uma visão diferenciada do jogo.

O treinador do juvenil falou para ele aproveitar a inteligência dele estudando.

Mas eu o convenci a aproveitar o garoto.

Depois, quando estava jogando a Taça São Paulo, levei o Vadão, treinador do time principal para vê-lo jogar.

No estádio tomamos um susto, o Kaká estava na reserva.

O Vadão ficou com dó de mim e, por amizade, deixou que o Kaká treinasse com os profissionais.

E deu no que deu.



É verdade que você indicou o Pato para o Milan?



Sim. O Kaká me ligou pedindo um jogador diferenciado para o ataque do Milan.

Ele já tinha um nome brasileiro (William do Corinthians).

Eu perguntei quanto o Milan queria gastar.

O Kaká me disse que não tinha limite.

Indiquei o Pato em vez desse outro jogador.

O Kaká ficou mais do que satisfeito.

Indiquei vários jogadores para o Paulo Autuori, Carpegiani, Cuca, Leão, Nelsinho e muitos outros.

Indico com o maior prazer, sem ganhar um centavo.

Até o nosso ótimo preparador físico Carlinhos Neves fui eu quem indicou.



Você não pensa em largar o São Paulo e abrir uma consultoria, uma agência de jogadores?



Minha mulher que é mais mercenária do que eu me diz isso todos os dias.

Mas eu amo o São Paulo. Tenho prazer em sair de casa e ir para o CCT.

Conversar com o Muricy, estudar os adversários.

O Autuori acabou de me chamar para ir trabalhar com ele no Grêmio.

Mas, não vou.

Sinto que meu lugar é no São Paulo.



E na Seleção Brasileira? Poderia fazer um ótimo trabalho na base...



Cosme, você sabe tanto quanto eu.

Ninguém do São Paulo não trabalhará na Seleção Brasileira enquanto for essa diretoria.

Por mais que a pessoa mereça.

Para mim está ótimo. O São Paulo já é a Seleção Brasileira...



Entrevista concedida ao blog do jornalista Cosme Rimoli.

1 Comentário:

paulinhotri disse...

o milton cruz é demais mesmo cara,já revelou varios jogadores.

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